Difundida há mais de cinco séculos somente aqui no Brasil, a arquitetura colonial é daqueles estilos que desafiam os ponteiros do relógio. Ela é a prova material de que o simples pode ser extremamente eficiente: basta caprichar nos detalhes!
Vamos mergulhar nas raízes coloniais da arquitetura para que, na sua casa, você saiba aplicar algumas das principais referências que consagraram esse estilo! Vem com a gente:
Arquitetura colonial: raízes e influências
Como o próprio nome sugere, a arquitetura colonial remete ao período das grandes navegações entre os séculos XV e XVII, quando países europeus como Portugal, Espanha, Holanda, Reino Unido e França estabeleceram colônias principalmente na América, na África e em algumas regiões da Ásia e Oceania.
Embora não fosse esse o objetivo principal da colonização, a permanência de estrangeiros nas colônias inevitavelmente trouxe consigo influências diretas das culturas e até mesmo dos hábitos desses países europeus.
Como é de se esperar, por aqui a influência mais marcante é a de Portugal. O estilo colonial português ainda é bastante perceptível em diversas construções pelo país. Pesquise por cidades como Ouro Preto-MG ou Paraty-RJ para ter uma pequena, mas valiosa amostra dessa proposta.
Essas e outras cidades nos revelam que a arquitetura colonial foi bastante difundida na construção civil da época, não apenas de casarões nas áreas urbanas e rurais, mas também de edifícios públicos, igrejas, entre outros.
No Brasil, em especial, há de se destacar a miscigenação de influências e culturas, uma vez que os costumes dos povos originários e dos escravos trazidos da África são fundamentais para a composição dessa “mistura” que é reconhecida atualmente como um dos grandes patrimônios da brasilidade.
Arquitetura colonial: características
A arquitetura colonial brasileira foi diretamente influenciada por Portugal, replicando aqui os métodos, os materiais e a identidade visual característica das construções que os portugueses faziam em sua terra natal.
De maneira geral, esse estilo priorizava a construção de casarões residenciais com fachadas próximas às ruas, um grande número de janelas e portas simétricas majestosas que costumam render fotos incríveis quando visitamos essas cidades.
Nas construções com mais de um pavimento, também era comum a presença de pequenas varandas. Os telhados feitos com telhas de barro também entregam uma estética marcante, a ponto de, até hoje, existir a referência para telhas com o estilo colonial.
Internamente, as casas traziam uma proposta bastante rústica, até porque a própria estrutura da maioria das casas era bastante simples, feitas a partir do método de taipas, principalmente de pau a pique (taipa de mão) ou taipa de pilão.
Casas de famílias mais abastadas também seguiam uma linha mais rústica, mas a partir de outros materiais, principalmente utilizando pedras e acabamentos mais nobres como azulejos portugueses e ladrilhos hidráulicos.
Os ornamentos externos são um show à parte nessa proposta, pois trazem uma riqueza impressionante de detalhes feitos artesanalmente nas fachadas, principalmente em beirais, gradis, batentes, molduras e bandeiras das portas.
Arquitetura colonial: como aplicar na decoração atual?
Com a evolução das cidades brasileiras, infelizmente, sobraram poucos exemplos originais da arquitetura colonial que não estejam restritos às cidades turísticas históricas, igrejas, edifícios protegidos por tombamento histórico e casas de campo que conseguiram preservar essa estética.
Isso tem levado algumas pessoas a acreditar que é uma estética ultrapassada, sem espaço nos dias atuais. Se é um estilo tão descartável assim, porque os poucos exemplos ainda continuariam fazendo tanto sucesso?
Acreditamos que isso se deve, principalmente, pela conexão afetiva que a arquitetura colonial traz ao valorizar elementos rústicos, simetria entre as formas e um apreço inegociável pela riqueza nos detalhes e ornamentos.
Isso se conecta diretamente com a atual procura por lares que trazem uma conexão mais profunda com materiais naturais e um estilo de vida mais simples e minimalista de se viver. Faz sentido, não?
Engana-se quem pensa que só uma casa de campo poderia absorver algumas das influências dessa proposta – e a grande procura por estilos como o farmhouse está para provar que não. É perfeitamente possível encaixar uma ou outra referência da arquitetura colonial em uma casa atual, onde quer que ela esteja. Abaixo, vamos apresentar algumas oportunidades:
Paleta de cores
A paleta de cores da arquitetura colonial preconiza opções neutras na base, como branco, bege, cinza e tons terrosos, além de lançar mão das cores de materiais naturais como madeiras maciças e pedras. Para dar vida e dinamismo ao conjunto, cores mais quentes podem ser aplicadas em eletrodomésticos, molduras e ornamentos.
Ornamentações
Não dá pra falar em arquitetura colonial sem falar de detalhes ornamentados. Analise se as molduras das portas, quadros e espelhos podem receber entalhes em madeira, mas também é possível ornamentar usando azulejos pintados à mão e gradis de ferro forjado, capturando pontualmente a essência do estilo. A dica aqui é não exagerar de modo que a casa puxe muito mais para um lado mais barroco e rococó da estética colonial.
Móveis antigos
Outra forma bastante eficaz para trazer a decoração colonial para dentro de casa atualmente é garimpar móveis em antiquários ou buscar reproduções inspiradas na época, como mesas e cadeiras robustas, maciças e ornamentadas, cadeiras de balanço e cômodas com detalhes intrincados.
Acabamentos rústicos
Use e abuse de materiais naturais com acabamentos mais rústicos, como concreto aparente, cimento queimado, tijolinhos a vista e madeira maciça. Cubas esculpidas e metais com acabamento que remete ao desgaste pelo tempo também são bem-vindos.
É fascinante notar como a arquitetura colonial ainda exerce grande influência na decoração da atualidade. Ao incorporar elementos coloniais mesmo que pontualmente, você ficará ainda mais perto de transcender as tendências passageiras, chegando a uma beleza comprovadamente atemporal!
Fonte: fani.com.br